O tradicional Pátio da Feira de Riacho das Almas passa a ter uma nova denominação, carregada de história, memória e reconhecimento cultural. Por meio da Lei Municipal nº 1.566/2026, sancionada em 07 de abril de 2026, o espaço passa oficialmente a se chamar “Pátio da Feira e Eventos Tita Sanfoneiro”, consolidando uma justa homenagem a um dos grandes nomes da música e da cultura popular do município.
Localizado no centro da cidade, próximo ao paredão do açude, o pátio é um dos principais pontos de encontro da população e palco de importantes eventos culturais. Agora, além de reunir tradição e convivência, o espaço também eterniza a trajetória de um artista que dedicou sua vida à valorização dos ritmos nordestinos.
Um legado marcado pela sanfona e pela cultura nordestina

DIRCOM
Francisco Manoel da Silva, eternizado como Tita Sanfoneiro, nasceu em 08 de maio de 1954 e faleceu em 03 de abril de 2024. Filho de Manoel Francisco e Beatriz Estelita, teve seu primeiro contato com a música ainda na infância, aprendendo a tocar sanfona com o pai e o avô.
Ao longo da vida, conciliou o trabalho na agricultura com o amor pela música. Ainda jovem, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como vigia e adquiriu sua primeira sanfona — instrumento que se tornaria símbolo de sua identidade artística. Nas horas vagas, já se destacava ao levar música às comunidades, sempre inspirado por Luiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião.
De volta a Riacho das Almas no final da década de 1980, Tita consolidou sua trajetória musical. Em 1990, além de constituir família ao lado de Maria Aparecida, iniciou uma fase de maior projeção ao compor músicas que rapidamente ganharam notoriedade na região. Tornou-se presença marcante na Rádio Riacho FM, levando alegria e cultura popular aos ouvintes todos os sábados.
Reconhecimento e contribuição cultural
No ano 2000, foi convidado pelo Centro de Cultura de Caruaru para participar das festividades juninas, momento em que criou o Trio Cabuji, grupo que permaneceu ativo por 15 anos e chegou a gravar um CD, ampliando ainda mais seu alcance artístico.
Mesmo enfrentando problemas de saúde que o levaram a encerrar a carreira em 2016, Tita nunca deixou de ser referência cultural. Seu repertório e sua dedicação ajudaram a manter vivos gêneros como o forró, xaxado, arrasta-pé, xote e baião, fortalecendo a identidade nordestina em toda a região.
Uma homenagem que preserva a memória
A denominação do espaço público com o nome de Tita Sanfoneiro representa mais do que um ato simbólico — é o reconhecimento de uma trajetória construída com talento, simplicidade e compromisso com a cultura popular.
Ao dar nome ao Pátio da Feira, o município reafirma seu compromisso com a valorização dos artistas locais e com a preservação das tradições que moldam a identidade de seu povo.
Agora, cada evento realizado no local carregará também a memória e o legado de Tita Sanfoneiro, garantindo que sua história continue ecoando, assim como o som de sua sanfona, pelas gerações futuras.
